domingo, 20 de novembro de 2016

Ana de Quina

Sempre foi assim. Inesperado, sem pressas, sem medos e sem aviso. Num sopro de vento perdido por entre paisagens inesgotáveis de campos e montes e vida. Sempre foi assim este sentimento que viaja pelo tempo e nos transporta sem saber bem para onde. Onde quer que estejas tu, estou lá eu. Não vejo, não toco, mas sinto o que não sei mais de mim, de ti, disto. É esta paisagem que me absorve e me engole, sem pedir autorização, sem pedir nada em troca, sem esperar nada de mim ou de ti. É ela que nos abraça e nos faz sonhar. É ela que nos aconchega nas noites frias em que nos escondemos dos olhares mais atentos. É ela a nossa alma a correr em desejos que se perdem pelo tempo. O tempo, esse tempo que passa e não volta e nos mantém vivos, presos num momento único onde só tu e eu podemos ser um para o outro. Simplesmente quero-me perder, fugir dos meus pensamentos, correr para onde não fui e ser livre. Sempre foi assim.
Ana de Quina

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